Diesel caro, juros elevados e frota envelhecida pressionam transportadoras e acendem alerta em toda a cadeia logística nacional
O transporte rodoviário de cargas no Brasil iniciou 2026 sob forte pressão operacional e financeira. A combinação de aumento nos custos do diesel, juros ainda elevados, queda nas vendas de caminhões e volatilidade internacional nos combustíveis tem comprimido as margens das transportadoras e dificultado o repasse do frete ao mercado.
O cenário preocupa toda a cadeia produtiva — do agronegócio à indústria e ao varejo — que depende diretamente da eficiência logística para manter competitividade e previsibilidade de custos.
O diesel segue como o principal componente do custo do transporte rodoviário, representando cerca de 35% da operação das transportadoras brasileiras, segundo a NTC & Logística.
Essa dependência faz com que qualquer oscilação no preço do combustível tenha impacto imediato no valor do frete e na rentabilidade do setor.
Em março de 2026, o Índice de Frete Rodoviário da Edenred Repom apontou alta de 3,36%, com o valor médio atingindo R$ 7,99 por quilômetro rodado. No mesmo período, a ANTT atualizou o piso mínimo do frete, elevando o coeficiente de deslocamento de R$ 5,986/km para R$ 6,368/km, refletindo a pressão do diesel sobre a tabela oficial.
Para especialistas do setor, o principal desafio não é apenas o aumento dos custos, mas a dificuldade de repasse ao preço do frete em um ambiente econômico ainda instável.
“O transporte sente tudo muito rápido. Quando o diesel sobe, quando o crédito fica caro, quando o consumo desacelera, a transportadora sente antes de muita gente”, afirma Célio Martins, gerente de novos negócios do Transvias.
Segundo ele, a defasagem entre custo e repasse tem corroído margens ao longo do tempo, aumentando o risco operacional das empresas.
Além dos fatores internos, o mercado de transporte também sofre com pressões externas. A crise energética global, impulsionada por tensões geopolíticas e pela alta do petróleo, que chegou perto de US$ 110 por barril, elevou a volatilidade dos combustíveis em diversos países.
Na América Latina, governos adotaram medidas de contenção de impactos. No Brasil, houve anúncios de apoio ao diesel, ao gás e ao setor aéreo, além de ajustes tributários sobre biodiesel e gás de cozinha, segundo informações do El País.
Apesar das medidas, o setor produtivo segue exposto às oscilações do mercado internacional.
A pressão de custos também já afeta a renovação da frota. Dados do setor indicam que as vendas de caminhões registraram queda superior a 15% no primeiro quadrimestre de 2026, segundo levantamento da Transporte Moderno.
Para especialistas, o movimento sinaliza adiamento de investimentos e maior envelhecimento da frota, o que aumenta custos de manutenção e reduz eficiência operacional.
“O caminhão é o ativo principal da transportadora. Com a queda nas vendas, o setor opera com frota mais antiga e menos capacidade de modernização”, destaca Martins.
Outro fator estrutural que pressiona o frete é a qualidade das rodovias brasileiras. De acordo com a CNT, as más condições de infraestrutura geram maior consumo de combustível e aumento do custo operacional.
Em 2025, o impacto estimado foi de 1,2 bilhão de litros adicionais de diesel consumidos, refletindo diretamente no custo do transporte e na competitividade logística do país.
A pressão por redução de preços no frete pode gerar efeitos negativos em toda a cadeia logística. Segundo especialistas, valores artificialmente baixos comprometem transportadoras, reduzem qualidade de serviço e aumentam riscos de atraso e ruptura operacional.
“Quando o frete fica artificialmente baixo, alguém paga essa conta. Pode ser a transportadora, o embarcador ou o consumidor final”, alerta Célio Martins.
Com base em sua plataforma de dados, o Transvias identificou aumento de 21,95% no volume total de consultas de frete em relação ao ano anterior, indicando maior busca por alternativas e otimização de custos logísticos.
O setor de E-commerce e Bens de Consumo lidera a demanda, com crescimento de 12%. Já a Construção Civil registrou queda de 8% nas consultas, refletindo desaceleração em cargas de maior volume.
Outro destaque é o crescimento de 18% na busca por carga fracionada e redespacho, sinalizando uma mudança no modelo logístico das empresas, que passam a evitar estoques elevados e priorizar entregas mais frequentes.
Para 2026, a tendência é de um ambiente mais seletivo no transporte rodoviário, com maior rigor na formação de preços e escolha de operações mais sustentáveis financeiramente.
Transportadoras devem priorizar eficiência operacional e controle de custos, enquanto embarcadores precisam considerar não apenas o preço do frete, mas também previsibilidade, qualidade e continuidade do serviço.
“O transporte rodoviário é um dos primeiros setores a sentir a economia real. Se ele está pressionado, toda a cadeia precisa prestar atenção”, conclui Martins.
Fonte: Portal do Agronegócio / Foto: CNA
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