Com transporte consumindo 8,5% do PIB, setor enfrenta combinação de veículos antigos, falta de profissionais e outros desafios
Apesar dos avanços recentes em infraestrutura, o setor de transportes no Brasil segue sob pressão, com impacto direto sobre custos e eficiência. A fragilidade é mais evidente no modal rodoviário, responsável por cerca de 60% da movimentação de cargas no País, segundo a Confederação Nacional do Transporte.
Um dos principais fatores é o envelhecimento da frota. De acordo com a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, os caminhões em circulação têm idade média de 15 anos, índice que ultrapassa 22 anos entre autônomos. A defasagem tecnológica reduz a eficiência operacional, eleva o consumo de combustível e aumenta a necessidade de manutenção, pressionando o custo por quilômetro rodado e ampliando o risco de acidentes.
Esse cenário se reflete na estrutura de custos da economia. Dados do Instituto Ilos indicam que a logística consome 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, sendo 8,55% apenas com transporte. O peso elevado compromete a competitividade e se traduz em aumento de preços ao longo da cadeia, do frete ao consumidor final.
Para Tatiane Bueno, CEO da Tecnorisk, o problema vai além da idade dos veículos. “O envelhecimento da frota não é apenas uma questão de eficiência, mas de previsibilidade operacional. Quanto mais antigo o caminhão, maior a variabilidade de custo e o risco de interrupções na cadeia logística”, afirma. Segundo ela, a defasagem tecnológica também impacta diretamente a segurança. “Estamos falando de veículos que não incorporam avanços importantes em frenagem e estabilidade, o que eleva o risco sistêmico das operações.”
Mão de obra escassa
Outro ponto crítico é a escassez de mão de obra. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da União Internacional dos Transportes Rodoviários indicam que a idade média dos motoristas está entre 46 e 50 anos, enquanto a profissão perde atratividade diante de jornadas extensas, baixa remuneração e insegurança.
O impacto já aparece na base de profissionais. O número de motoristas ativos caiu de cerca de 3,5 milhões em 2014 para aproximadamente 1,3 milhão em dez anos, segundo dados da ANTT. A redução pressiona o mercado de fretes e pode comprometer o abastecimento, sobretudo em um país altamente dependente das rodovias.
Para a CEO da Tecnorisk, Tatiane Bueno, o risco é estrutural. “A combinação entre frota envelhecida e escassez de motoristas cria um efeito cumulativo. Não é apenas uma questão de custo, mas de capacidade de atendimento da demanda logística no médio prazo. Sem reposição de mão de obra e melhoria das condições da profissão, o País pode enfrentar restrições reais de oferta no transporte de cargas”, afirma.
Para ela, o gerenciamento de risco ganha papel estratégico na mitigação de perdas e na previsibilidade das operações. Com maior incidência de falhas mecânicas, acidentes e atrasos, empresas passam a depender de sistemas de monitoramento, controle logístico e inteligência de dados para garantir segurança, eficiência e continuidade no transporte. “A gestão de risco deixa de ser um diferencial e passa a ser uma camada essencial da operação. É ela que permite reduzir incertezas em um ambiente cada vez mais pressionado”, diz Tatiane Bueno.
Fonte: Tecnorisk / Foto: Divulgação - Canva
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