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comunicação

Mercado 27/07/2026 - por Agência INFRA

ABCR pede veto à regra que afrouxa fiscalização de peso por eixo em rodovia

Uma mudança feita pelo Congresso Nacional na sistemática de pesagem de caminhões nas rodovias está preocupando as concessionárias do setor, que temem que a nova regra acarrete em maior desgaste do pavimento das estradas e gere necessidade de investimentos adicionais nos ativos

ABCR pede veto à regra que afrouxa fiscalização de peso por eixo em rodovia

Uma mudança feita pelo Congresso Nacional na sistemática de pesagem de caminhões nas rodovias está preocupando as concessionárias do setor, que temem que a nova regra acarrete em maior desgaste do pavimento das estradas e gere necessidade de investimentos adicionais nos ativos. A ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias) enviou ofício ao Ministério dos Transportes nesta quarta-feira (22) para sugerir que o item seja vetado pela presidência da República. A alteração foi feita durante a tramitação da chamada MP do Frete no Congresso Nacional, aprovada pelo Senado na semana passada.

Na Câmara, o relator, deputado Zé Trovão (PL-SC), inseriu um artigo no CTB (Código de Trânsito Brasileiro) para prever que, quando o veículo tiver peso bruto total de até 74 toneladas, a fiscalização não será feita por eixo. Somente os que ultrapassarem esse peso serão fiscalizados quanto ao excesso de peso por eixo.

“Ou seja, o olhar do fiscal não se voltará mais ao peso de cada eixo, e sim ao peso total do veículo quando igual ou inferior a 74t (setenta e quatro toneladas)”, explicou a ABCR. Quando um caminhão está com excesso de peso, pode ser multado e ter a carga retirada para transbordo do excedente. As limitações são previstas em regulamentação do Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

Com a flexibilização aprovada em relação a fiscalização por eixo, as concessionárias preveem três impactos principais: prejuízo à vida útil dos caminhões por desequilíbrio do peso entre os eixos; repercussão negativa na segurança viária, uma vez que há o comprometimento do poder de frenagem dos automóveis; e maior desgaste do pavimento – classificado pela ABCR como o efeito de maior impacto.

“O excesso de peso antecipa a deterioração do ativo, o que aumenta trincas, afundamentos e o rompimento das camadas inferiores do pavimento. Essa realidade demanda maiores interferências de restauração em menor espaço de tempo. Para além do transtorno das obras na rodovia, sabe-se que tais intervenções, somadas às patologias no pavimento tendem a gerar mais sinistros nas rodovias, impactando todos os usuários”, disse a ABCR.

A entidade afirmou ainda que o sobrepeso de um eixo específico é ainda mais preocupante por poder reduzir em quase metade a vida útil do pavimento. “Tendo em vista, ainda, o aspecto econômico-financeiro, importa destacar que, no que tange às rodovias concedidas, a degradação do pavimento de forma extemporânea ao previsto nos cronogramas contratuais, em decorrência da má utilização da via, pode gerar a necessidade de investimentos adicionais para a manutenção dos parâmetros exigidos na fiscalização, resultando, assim em possível impacto tarifário ao usuário”, afirmou.

Durante a tramitação da MP no Congresso, a alteração no texto feita pela Câmara já havia chamado a atenção de técnicos do governo, que alertaram para a possibilidade de as concessionárias pedirem o reequilíbrio de seus contratos para compensar investimentos adicionais para conter o desgaste maior do pavimento.

A pesagem de caminhões é realizada nas rodovias. Quando elas são concedidas, a responsabilidade pela infraestrutura da balança é das operadoras privadas – que inclusive passam por uma fase de adaptação do modelo de balanças tradicionais para a de pesagem em movimento, chamada de WS-WIM. A transformação tecnológica foi pensada justamente para conferir maior controle sobre o peso dos caminhões que trafegam na via, já que o HS-WIM é capaz de fiscalizar 100% dos veículos.

 

Fonte: Agência INFRA/ Foto: DER/Paraná

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